As capelas no alto dos montes são o símbolo da profunda devoção popular cuja alma vitalizante se mantém através da crença no poder do santo ali venerado. Estas capelas observam-se de longas amplitudes como que a saudar os crentes que a guardam.

No monte com o mesmo nome, encontra-se erigida a capela de São Roque, com jurisdição do Pároco e cujo culto se destina à participação da comunidade nos atos religiosos. Esta capela construída em granito com cantaria de parede em perpianho, tem a fachada orientada a Norte, com um frontão, em dois lanços com duas urnas que o ladeiam. No cimo temos uma cruz de feição próxima da latina e trilobada.

O seu interior possui uma estrutura composta por corpo e presbitério. O seu pavimento é de lajes de granito, apresentando o teto caixotões de madeira e um silhar com azulejos policromáticos mas de produção recente. No altar-mor temos um retábulo de talha de imitação do barroco português. No seu interior temos a imagem de S. Roque em lugar de destaque e também as imagens de S. Bento e S. Sebastião. Uma outra imagem de S. Roque está sobre a mesa do altar, que embora mais pequena trata-se de um exemplar do século XVIII.

Quanto à cronologia associada à edificação e vida desta capela destacamos as seguintes datas:

1599 – Culto a São Roque milagreiro, advogado da peste, pedindo proteção pois no ano anterior, esta epidemia assolou a freguesia de Riba de Ave, matando cerca de metade dos seus habitantes.

1600 – Ano da provável construção da capela de São Roque, conforme refere documento de doação e onde se lê “Saibam todos quantos este instrumento virem que, a 5 de Setembro 1600, o licenciado Manuel de Quadros, abade da freguesia de Riba de Ave, perante mim tabelião e testemunhas, foi por ele dito que tendo construído uma ermida de invocação a S. Roque, e se encontrar dotada de tudo quanto era necessário, …”.

1605 – Doação feita a S. Roque por Fernão Álvares, “Saibam todos quantos este instrumento de doação virem, que no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1605, aos dez dias do mês de Novembro, (…), aí apareceu Fernão Álvares, viúvo, lavrador (…). E porque tinha devoção com S. Roque, agora com ermida própria em Riba de Ave, lhe doava um alqueire de pão meado para todo o sempre dos dez alqueires que possuía dessa sua renda”.

1606 – Declaração em instrumento público, por parte de Lucas Pires, que “trazia alugadas à ermida de S. Roque umas leiras em Guardizela, pelas quais pagava três medidas”. Foram testemunhas desta declaração, os Cónegos Valentino de Alpaso e Pontes. A assinatura é do tabelião, António Jácome, em nome do Duque de Bragança, senhor de Barcelos, a 23 de Julho de 1606”. Neste mesmo ano foi feito o auto de doações de terras à instituição.

Capela de São Roque – Riba de Ave

Da capela de São Roque se fala no inquérito das Memórias Paroquiais, de 1758, para a freguesia de Sam Pedro de Riba d’Ave, onde o abade Rodrigo Leite Pacheco refere a 23 de maio desse mesmo ano, sobre a existência de alguma ermida na freguesia: “Tem a cappella de Sam Roque, colocada para sima da igreja para o Sul em hum outeiro denominado de Sam Roque, cuja fabrica pertence ao reverendo abbade”.

Esta capela, que já teve alpendre, tem fácil acesso e apesar de na época da sua construção beneficiar de uma vista panorâmica, atualmente partilha o alto da colina com construções de habitação.

Por: Pedro Lopes Barbosa

Bibliografia


PEREIRA, Aurélio Fernando – Riba d’Ave em Terras de Entre-Ambas- as-Aves, monográficos, I volume, Edição da Biblioteca do Externato Delfim ferreira, Riba d’Ave, 1993.
SOUTO, José Correia – Minha Terra e Minha Musa, edição do autor, Braga, 1985.
VIEIRA, A. Martins – As capelas no concelho de Vila Nova de Famalicão, Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, 2000.
Memórias Paroquiais, 1758, vol. 31, Arquivo Nacional Torre do Tombo