No lugar da Ponte, na freguesia de Riba de Ave, existe um conjunto devocional constituído por um Cruzeiro e por umas Alminhas. Este tipo de monumentos, de arte religiosa, encontram-se bastante disseminados pelo território nacional, tendo como principal propósito a fé em Cristo Redentor.

O Cruzeiro de Riba de Ave, é bastante interessante tanto sob o ponto de vista artístico como sob o ponto de vista etnológico. É constituído por uma base de formato geométrico quadrangular, sobre o qual assenta o Plinto de soco igualmente quadrangular em granito.

Este Plinto tem como principal motivo de interesse o facto de se encontrar epigrafado, com uma inscrição alusiva à construção da ponte, e onde se lê: “ESTA PONTE MANDOU FAZER ANTÓNIO VAZ VIEIRA, FIDALGO DA CASA DE SUA MAJESTADE, A QUAL LHE MANDOU PAGAR EL-REI, NO ANO DE 1702”. Esta memória deixada no cruzeiro da Ponte ao ilustre Fidalgo do Rei D. Pedro II, evoca igualmente um sentimento enternecedor de amor.

Completam o cruzeiro a coluna ou fuste de secção circular, com o capitel de volutas na parte superior. O capitel está encimado pela cruz, sem a imagem de Cristo. O motivo do surgimento dos cruzeiros, varia conforme os casos e tratar-se-á de cruz de caminho, noutros de método de limite, ou também em caso de voto ou de devoção.
Em relação às Alminhas da Ponte, estas pertencem ao tipo de Alminhas apologéticas. Estas alminhas são pequenos nichos não só destinados a afirmar a existência do Purgatório, como também a implorar orações em louvor pelas almas dos mortos que nele sofrem.

No caso das nossas Alminhas, o nicho é em granito guardando no seu interior um painel em azulejos retratando as figuras da Santíssima Trindade e em fundo as Almas do Purgatório. A cruz cimeira é em cimento com a imagem de Cristo crucificado. As Alminhas constituem importantes demonstrações da arte popular cuja crença na existência do Purgatório leva à necessidade de oração pelo destino das almas que nele caíram, esperando que as suas preces consigam o perdão libertador.

Estas Alminhas e o Cruzeiro, situadas junto ao cruzamento da Avenida Narciso Ferreira com a Rua Conde de Riba de Ave, conhecidas por Alminhas da ponte, já tiveram a mesma base, mas devido a obras de arranjo do local, encontram-se, estes dois monumentos religiosos, atualmente afastados cerca de 6 metros um do outro.

Por: Pedro Lopes Barbosa

 

Bibliografia


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